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segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

DRUMMONDO (II)

FUZILAMENTO DO MUNDO

tenho apenas dois fuzis
e a raiva do mundo,
mas estou cheio de munição.
mostro o brilho das armas,
olha aqui negada,
se não vazar da cadeira, já disse,
apago sem dó, morre toda a paulistada.

próxima estação são joaquim
liberdade clínicas tamanduateí
não quero saber, tá dentro do trem
vai se queimar de vez, meu bem.

com os primeiros estilhaços
mandarei pro reino dos veados
o filhadaputa que estiver sentado
nos assentos preferenciais.

quem passar por cima da lei
dos velhos dos balofos dos aleijados
das buchudas dos ateus dos desdentados
trago fogo nos dedos
entrego a alma ao deus diabo.

na segunda metralhada, se prepara:
ficou em pé, é bípede sem pena,
te pego no ta ta ta e acabou a graça.

e chega de papo, cambada,
cada cabeça aqui merece
e vai sentir o gosto da bala.
quando os corpos passarem
ficaremos sozinhos
nós, os preferenciais.

antes que um metido a homem
cruze a faixa de segurança
meus fuzis já vão comer metade
de quem não mover a pança.
é pra já ou não é.

sente o sangue do alívio, tio.
dá graças a deus, tia, é milagre.
eu sou o salvador, não tá vendo?
então abre a boca e toma, engole minha bala
caralho, este é o meu corpo.


não teve defeito, não mancou
não é aposentado nem animal
cala a boca e escuta o pipoco
dos meus canos arautos, acho é pouco.

eu sou o salvador, rei do bagaço.
eu vim em nome do que vem,
quem não tiver um defeito um sufoco
se fodeu, agora é nossa vez.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

na pior onde


“A fome nos reduz a uma condição de estupidez e falta de energia total, mais parecida com os efeitos da gripe do que qualquer outra coisa. É como se nos transformássemos numa água-viva ou como se nosso sangue tivesse sido todo retirado e substituído por água morna. Minha maior lembrança da fome é a inércia completa; e também a necessidade de cuspir com muita frequência, um cuspe curiosamente branco e flocoso, como uma secreção espumosa de inseto. Não sei a razão disso, mas todos que passaram fome vários dias observaram esse fenômeno.”

terça-feira, 30 de novembro de 2010

autohostilidade

Quando você achar um sujeito que abre a boca só pra falar que tá certo, dá opinião de tudo, avalia o próprio trabalho com clamores caquéticos e no final ensaia um sorriso do tipo Escutem só lá no fundo eu posso ouvir palmas pra mim palmas enfim, quando você perder a paciência com egos de tais tipos, antes de empunhar a faca e fazer esse favor à humanidade (e a mim), procure conhecer os pais do sujeito, você vai encontrar razões que justificam tais aberrações, eu digo porque eu sei, meu avô também me sabe, meu pai era desse jeitinho comigo meu querido, essa gente garbosa que goza por cima de si mesma tem sempre pai ou mãe de plantão encharcando o ego da própria cria de frases de impacto e de superioridade vis, tipo O meu filho é mesmo um danado olha aqui o que ele faz, O meu filho dirige desde os 12 anos, O meu filho pega nas polpas das amiguinhas faz tempo, O meu filho é foda, O meu filho fode, O meu filho pode. Aí você respira fundo e diz, Coitado olha pros pais dele deixa o menino em paz, vai.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

saudades, A

Como será que começou essa mania de achar que "saudades" é um singular? Quando li isso de primeira, pensei que fosse um caso isolado. Agora, estou vendo que é cisma. Notei a ocorrência umas 10 vezes, vindo de pessoas diferentes.

Aproveitando o posto, Bárbara Maíra Dyego Amanda e mais Mathias, meu cão, essa saudades que eu sinto é uma coisa que junta assim vocês todos na saudades de vários que se funde num só sentimento, a saudades. Ai que saudades grande daquele porre de suco de laranjas debaixo da mangueira. A saudades é mesmo esse negócio esguichado que se propaga uno, saudades.

Enquanto isso, vou dar de graça duas lições para os jovens fantasmas do agora:


Coisas que aprendi nos últimos 3 meses:
1. morar de favor não dá bronca se você lavar a louça sempre.
2. a fome a gente engana com castanhas em vernissages, que tem artista o suficiente pra todos.