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quarta-feira, 1 de junho de 2011

vamos?

terça-feira, 1 de março de 2011

os poderes sexuais de wittgenstein

wittgenstein dá um nó na minha cabeça, um nó que é uma dor que se comunica com o prazer da mesma forma que um beliscão no meu mamilo.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

chega de poesia. CHEGA.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

agenda nova

1. morar um pouco no México.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010


toda manhã a porra do fim do mundo está lá, está bem aqui, e olha que beleza é se acabar.

sábado, 6 de novembro de 2010


do que mais você precisaria? hein?

sexta-feira, 21 de maio de 2010

os mais equilibrados são uns inúteis

Platão ganhou mesmo meu respeito foi quando disse assim, "os mais equilibrados são uns inúteis." E só não digo onde porque anotei isso tem anos. Mas foi. E é. Agora me pergunto se isso não foi falado por um interlocutor de Sócrates, daqueles que ficam todinhos em contradição na terça parte final dos diálogos platônicos. Afinal, que interesse teria Platão em dizer isso?
Mas disse. Está dito. E tem sido.
Prove-me que não.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

a religião dos coqueiros



tendo por hábito a vida em legião, os coqueiros acharam por bem buscar o céu como destino de seus ideais. querem alcançar tudo o que é etéreo, teimam em manter firmes os pés e dispõem toda energia em multiplicar alturas, pedindo à mão divina que toque suas cabeças de palha para que só assim consigam a força necessária ao permanecer-de-pé dia após dia. resistem soldados ao sopro litorâneo. desviam de leve dos tratores cortadores de cana. atiram do alto de seus ventres os seus filhos, os quais perdurarão a tradição em apontar para o mais distante dos consideráveis fins. são mais resolutos do que eu. os coqueiros acreditam e deus.

sábado, 6 de março de 2010

você queria o mar, mas eu‏

De: thiago barbalho (thiagobarbalho@hotmail.com)
Enviada: quinta-feira, 4 de janeiro de 2007 1:43:14
Para: thiagobarbalho@hotmail.com



você queria o mar, mas eu me banho é na neblina da fumaça ao redor. Você queria andar, mas eu me divertia entre os corpos e os ratos adormecidos no metrô. tenho a impressão de que, se minha rotina fosse aí, minha mão não pararia de agir: nos dias de folga muitas palavras em papel, nas horas ocas muitos blocos de anotações. a correria daí me inspira, eu aspiro poluição e fertilizo meu poder criativo. Os andarilhos esmos, os apressados hippies, os enlaçados executivos, as lisas putas, os grupos seissentistas. Eles empurram minha cabeça contra a parede opaca de uma folha, porque de algum modo é no traço que eu fotografo, é na tessitura do idioma que eu os traduzo, é na cor constante da caneta que eu os revelo em todo o tom. de um jeito tonto essa cidade aí me magnifica - sou premiado e brindo ao céu nublado. é das poucas vezes que me vem à mente [normalmente pessimista] a conclusão de que
I. Agradeço por viver,
II. Estar vivo é dadivoso,
III. Apenas isto é suficiente, porque daí as pernas se movem em busca do deslumbramento.
Porque já pensou morrer sem viver viagens.
Olha o mundo. Quero devorá-lo qual um docinho. o mundo negro que nem um brigadeiro - ou um doce de feijão, se preferires. engulo o mundo de todos os lados, várias vezes e aos poucos, que é pra guardar um pouco do gosto pra mais tarde, e em inúmeros instantes saborear o açúcar de cada canto, o apurado aroma de todo lugar. guardar pra mim o que é de todos: as ruas e a chuva vindas de surpresa. Guardar o segredo dos pedintes e dos camelôs ritmados pela ronda dos Homens Armados. Passar pelas pedras, respeitar os pombos domesticados. dormir na porta das Casas Bahia e acordar no meio-fio. Rebelar-se contra as travessas, entender que os semáforos dão cor e vida ao azedume do asfalto. afastar-se das sombras dos prédios, eles perigam cair. o sol por trás deles projeta o desabamento de cada dia dado hoje.
Haja jornal aos anunciantes, haja sinuca e pebolim aos insones de uma noite prorrogada. talvez eu quisesse a rotina paulistana pra ver se eu abusava; ou mais ainda me detinha nos detalhes - nas molduras dos quadros expostos em museu, nos espelhos do museu, no guarda do museu (pastorador de obras-primas). Não sei o que me dá, mas dá para notar que ali na parede sem cor nem nome há uma entrada - Digitar a senha no canto do muro e se enfiar na passagem-secreta que se abre às 5 da manhã. Dedos ágeis e cabelos voláteis na pista de dança. Seios dados e paus dardos no avançar das horas. E mais dança e mais dia. E mais lábios em agonia. Ah que o dia é de todos, e o meu trabalho é viver.

domingo, 22 de novembro de 2009

as respostas estão na estrada


Foto de Bárbara Roma

Lembra do filme Transylvania?

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Todos sabem que é muito confortável um deus assim tão caridoso a ponto de só provocar sofrimento com o objetivo de educar. Um deus desses não poderia ser menos louvável. Acontece que ele nunca se fez crível aos meus conectivos neuronais; os sofrimentos que eu presenciei nem sempre resultaram em algo além de dor. Enquanto a bondade divina, assim tão perfeita, não se apresentar de fato a mim, eu não encontro justificativa para lhe dar crédito pelo que alcancei por esforço próprio. Que não levem de mim os meus poucos méritos. Mas esse deus é tão bondoso que, se existisse, seria entediante, muito pouco interessante, monotemático. Eu teria compaixão por uma divindade tão previsível e presa aos seus próprios ideais. Eu prefiro tudo o que é falível. Eu só acredito naquilo que falha.

sábado, 18 de abril de 2009

Close nos olhos dela, assim mesmo. Enquanto vê o tango nos passos da milonga e ouve o arrastar dos sapatos das senhoras, jovens senhoras já encaixadas em outras pernas de linho, marcadas de virilidade. Parar-se dois minutos e meio nos olhos dela, deixar o tango tocar, trazer o som dos sapatos no chão para o primeiro plano auditivo. Azul ao redor e preto reforçado nas sombras. Vermelhas as veias dos olhos. Não quero saber de medo de lugar comum, vou fazer assim, o filme é meu. Os olhos de quem espera ser chamada. Os olhos de quem vê olhos alheios do outro lado do salão. Serei eu eleita hoje? - gosta de tango com homens casados, vai à milonga para se realizar. Os olhos molhados de noite. As pernas erguidas à espera da dança. E pergunta-se: o que ali se realiza, que desejo se mata no passo ritmado pela voz dos instrumentos. A própria música, um que sem quê, ela pensa. Que dizer da própria dança, coisa incorpórea conduzida através da quebra onírica das melodias. Fenômeno que ela não toca, mas que a carne de seu corpo reage em incontestável realização. Como o olhar mesmo, o olhar dela em foco, que lhe faz ver aquilo que nem toca no seu olho. A música e a dança são como o olho que vê aquilo que nele não chega a encostar. Tudo sem consistência física, mas ainda assim indubitável e tocante. Tudo isso nos dois minutos e meio de close nos olhos dela. O filme é meu. Aceitar o não-entendimento do que faço nunca foi um problema meu.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Por falar em gato, meu filme preferido para domingos escuros:

domingo, 15 de março de 2009

Eu acho tão bonita a lógica das nuvens em dias nublados.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

eu quero paz





Conecta o usb aí, Lancelot, eu preciso ouvir o álbum de Mary Chain pela quarentaeseiséssima vez, que ela me remete ao lado de lá do mar, o lado em que o escuro se forma e nutre sementes honradas pelo simples ali-estar. Quando eu sinto saudades do tempo em que eu me achava nessas escuridões, boto as músicas certas pra tocar e é como se o de-então fosse agora. Mas antes ligo o ventilador na máxima velocidade porque esses mosquitos esbarram em mim e me tiram a concentração, com eles me distraio do que já passou e acabo focando na tentativa de apanhar o zumbido em sangue de volta à mão. Lancelot, veja essa música, agora eu prefiro os temas infantis e os desenhos animados da faixa etária dos 50 anos. Porque foi lá que eu vi verdades, brincando com as crianças eu pude perceber o que é precisar de açúcar pra sorrir. E desde então é só tombada, pedras nas calçadas, corpo inclinado quase em queda. Que cisma há de ser essa que nos arrebata de volta ao irrecuperável, eu te pergunto Lancelot. Mas agora eu sei o que é precisar de açúcar. Quase que os mosquitos já se esconderam com medo do furacão que pra eles é o ventilador agindo; e enquanto eles buscam escapatórias diante dos riscos, eu te falo Lancelot, toca Sowing Seeds no modo repeat, por favor, eu sou teu convidado ou não sou. Gosto dos estalos agudos das cordas elétricas do Mary Chain porque eles me centram no escuro com uma exatidão rara. Eu me esqueço de perguntar por que; eu só contemplo – e é como que um espelho o que eu ouço

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Querida Pavonina,

favor jogar a bóia salva-vidas agora, que eu já quase me afundo em tempos de ter um infarto de afogamento, uma implosão de mundo, Tadeu que não se move de si. Uma bóia, eu preciso boiar na superfície das coisas, não ir tão longe, eu não sei respirar se for tão fundo nas verdades do mundo, verdades sem bolhas, imperativos sem intervalos, quero nem pôr os pés na terceira margem lamacenta desse oceano de pedras polidas e tubarões piranhas,
Tadeu como que te sucedeu?, como foi teu fim?